Quando o medo nos aprisiona

by - janeiro 17, 2015

Quantas e quantas vezes já tentei mudar a minha vida? Foram tantas que se tornou impossível contá-las. Ao iniciar cada novo ano, os desejos são repetidos vezes sem conta e mantém-se inalteravelmente os mesmos de há 10 anos para cá, ou talvez um pouco mais. Pouco tem mudado, as alterações são ínfimas e não sem onde mais hei-de ir buscar as forças para fazer as tão desejadas mudanças. Os motivos, os objectivos existem, porque não consigo lutar por eles?! Porque não consigo vestir a armadura e ir à luta, de mangas arregaçadas e pronta para derrubar todos os obstáculos que forem surgindo? 
Porquê? Porque o medo consome-me, aprisiona-me e é, sem dúvida alguma, o meu maior inimigo! O medo de falhar, de não conseguir atingir o tal objectivo, imobiliza-me, prende-me com amarras de uma resistência irreal, que me sinto impotente para as quebrar. Desisto pouco antes de começar a luta, desisto por medo, simplesmente desisto de lutar pelos meus sonhos. Quero tanto mudar isto, esta atitude derrotista e amedrontada, quero tanto soltar as amarras e poder voar livremente pelos meus sonhos. Quero tanto... mas não tenho conseguido fazê-lo. Ano após ano, a estória repete-se.
Sim, eu sei e tenho a perfeita consciência, que não é ficando isolada do mundo, deitada em concha na minha cama, com os cobertores a taparem-me por completo que vou resolver o assunto, que vou ganhar ânimo e força para lutar e vencer todos estes medos que me consomem. Então, porque é que repito este mesmo erro vezes sem conta? Hoje foi mais um dia assim, em que desisti mesmo antes de começar. Gostaria de falar abertamente com alguém sobre isto, mas com quem? Tenho vergonha, imensa vergonha, por tudo aquilo que já vivi e por este tipo de comportamento que demonstra tanta fraqueza. Mesmo quando era acompanhada regularmente em psicologia, nunca fui capaz de ser sincera com qualquer uma das terapeutas. A vergonha sempre me impediu de mostrar que estava a ser incapaz de fazer progressos e ia mentindo sessão após sessão. Não haviam mudanças, por vezes até existiam retrocessos mas era incapaz de os dizer, por medo, vergonha, culpa, fraqueza.
Quero tanto, quero imensamente mudar o rumo que a minha vida tem tomado e não voltar a repetir os mesmos erros. Quero e necessito urgentemente dessa mudança! O cerco aperta-se e as oportunidades vão-se perdendo e, mais uma vez, não quero chegar ao ponto de repetir a mim mesma ininterruptamente e em uníssono: Porque não foste capaz de o fazer? Porque te acobardaste e não foste à luta?
Sim, eu sei... Neste momento só dependerá de mim dar um novo rumo e existência à minha vida e o quanto eu desejava ser capaz de o fazer!






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