Mais desilusões

by - setembro 30, 2015

Não pensei estar a escrever sobre este assunto tão cedo. Já me tinha mentalizado que por uns tempos iria focar-me apenas em mim, na minha recuperação, no meu bem estar e na tentativa de atingir o tão desejado equilíbrio emocional e psíquico. De parte iria colocar a procura do amor, do tal companheiro e amigo, procura esta que só me e tem trazido dor e sofrimento. Incrível como tenho atraído para a minha vida pessoas mal formadas, sem valores morais, que aparentam ser uns cordeirinhos mas que na realidade são lobos maus bem disfarçados dos quais só descubro a máscara e as suas verdadeiras intenções quando já não há muito a fazer, quando já me magoaram e pisaram. Resolvi colocar de lado as minhas renitências e dar uma hipótese a quem parecia ser realmente uma boa pessoa, demonstrando estar sempre presente e atento. Por momentos pensei que afinal ainda existem boas pessoas, que talvez devesse baixar a guarda e dar uma hipótese para essa pessoa entrar na minha vida. E assim o fiz! Abri as portas da minha casa, do meu refúgio, do meu cantinho que raramente abro e voltaram a pisar o risco, a ultrapassar os limites, a magoar, usar e deitar fora como se mulher fosse objecto descartável ou reciclável passando de uns para os outros e de mão em mão. Quando me envolvo com alguém a este nível mais intimo é porque confio, é porque acho que vale a pena, não por leviandade, não por ser mais um na lista. Não é a quantidade, não é ter mais um orgasmo que me vai trazer a suprema felicidade, mas sim, ter a meu lado alguém que me respeite, algo que esta última pessoa não fez de todo. Sabendo o meu passado, o que sofri e sai magoada, merecia um pouco mais de respeito da sua parte e não a repetição nua crua do mesmo acontecimento. Já me disseram por diversas vezes que sou uma pessoa de coração muito puro e um pouco ingénua, que acredito demasiado nas pessoas e nas suas boas intenções. Como não faria nem teria determinadas atitudes, não espero que os outros as tenham para comigo e não vejo o seu lado mau, obscuro. A verdade é que acredito sempre no melhor que o outro nos pode dar e tento relevar a capacidade que tem de me poder magoar com os seus actos. Confio demasiado, acabo por ceder e esperar o melhor, acreditar que ainda há quem tenha valores e respeito pelo próximo.
Estou deveras cansada deste ciclo de dor e desilusão. Está mesmo na hora de ser egoísta ao ponto de concentrar-me apenas e só em mim e não na busca pelo tal amor que só me tem trazido tristeza. Talvez, ele apareça no momento em que não o procure, em que apenas esteja focada na melhoria do meu bem estar emocional, atenta e dedicada aos meus objectivos de vida no campo profissional, acima de tudo centrada em me AMAR e ACEITAR tal como sou, com todas as imperfeições, com uns kilinhos a mais e uma banha aqui e acolá, com a teimosia que me é característica, mas com uma enorme determinação em atingir os meus sonhos e projectos de vida. Quem sabe, talvez ele surja natural, sem esperar, sem procurar, de forma inesperada.
Até lá, não quero passar por mais situações deste género, nas quais me senti usada e deitada ao lixo como um lenço de papel que não tem mais utilidade depois de cumprido o seu objectivo.

Ainda bem que não uso as pessoas ao meu belo prazer e consoante as minhas necessidades, ainda bem que não sou assim, teria vergonha de o ser!





"Não me magoes, por favor. Será que te peço demasiado? Não me digas coisas que não mereço, não me faças coisas que não mereço, por favor. Tenho o coração já remendado, cosido, pregado, colado... por causa de quem veio antes e o estragou. Não tens culpa, mas tens a cura. Só te peço que me dês duas coisas que mais ninguém me conseguiu dar: um amor e um para sempre." (Raul Minh'alma)

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