Dee - Há 15 anos que me faz companhia

segunda-feira, outubro 12, 2015



Dee, é assim que "carinhosamente" a denomino. A Dee poderia ser uma amiga de longa data, uma confidente, um animal de estimação que me acompanha há mais de uma década, mas é apenas e só uma doença, uma perturbação psicológica comummente diagnosticada como depressão. Faz parte da minha vida há 15 anos e já se torna difícil imaginar-me a viver sem ela. Começam a ser poucas as boas recordações que retenho das fases da minha existência em que ela não esteve presente. Da infância poucas memórias tenho, o que significa que algo esteve em falta. Após alguma psicoterapia descobri o motivo desta ausência de recordações, aprendi a aceitar e a perdoar os progenitores pela vida atarefada que tiveram que pouco tempo restava para interagirem, brincarem, estarem comigo. Hoje em dia, quando algum amigo(a) diz que trabalha imenso, alguns até aceitaram ir viver para outro Continente em troca de um salário bem chorudo de forma a proporcionarem uma vida excelente aos filhos eu torço sempre o nariz. E porquê? Porque não há dinheiro no mundo, não há presentes caros que compensem a presença de um pai ou mãe. Trocava as roupas de marca que tive, os brinquedos, os computadores, por brincadeiras com os pais, idas ao jardim, piqueniques, passeios, convívio em família, em suma, trocava tudo por AFECTO! Os pais estão tão preocupados em dar uma vida de sonho aos filhos, em amealharem que por vezes se esquecem do mais importante: dar Amor, demonstrar aos filhos o quanto os Amam, dizê-lo sem medos e com confiança. Não recrimino os meus por não o terem feito, pois a sua educação foi dura e nem todos temos a mesma capacidade de demonstrar o quanto amamos o outro. Sei que me Amam, mas que senti a falta de o dizerem, dos abraços e carinhos, sim... senti! A melhor forma de resolver esta situação é quebrando o ciclo e tratar os meus pequenotes da forma que eu desejava ter sido educada. Infelizmente, a maternidade terá de ser adiada por mais uns anos, o que me entristece bastante e por vezes até traz alguma angústia. Mais tarde, numa outra publicação irei abordar este tema. Há muita coisa que tenho de colocar para fora e escrever ajuda a libertar a alma.
Voltando ao assunto chave, a Dee, ela esteve demasiado presente nesta última semana. Foi perturbadora por demais! Uma semana complicada, em que dia sim dia não fiquei de cama, sentindo-me sem forças, completamente em baixo, desanimada, sem vontade de fazer seja o que for, sem que algo me desse prazer. Só queria o meu refúgio, o meu leito, coberta pelos lençóis e na escuridão do quarto. Há alturas assim em que parece que todos os sonhos se desvaneceram ou foram colocados na prateleira, em que perco as forças para lutar por eles, para seguir em frente. É difícil entender, eu sei! Só quem passa pelo mesmo é que entende verdadeiramente e não vê tudo isto como acto de menina mimada, como preguiça ou falta de objectivos. Eles existem e são muitos, a força é que por vezes se esvai e a letargia e a apatia toma conta de nós, descontrolando os nossos ritmos de vida com uma excessiva vontade de dormir e de comer, foi o que sucedeu comigo nestes últimos tempos. Há uns anos atrás perdi por completo o apetite chegando a ficar com anorexia, desta vez ela trouxe consigo uma vontade de comer compulsivamente. São as manias da Dee, caprichosa como só ela sabe ser!
Há cerca de 2 a 3 semanas atrás andei bastante animada, fui fazer umas caminhadas, consegui controlar melhor o que comia e ter uma alimentação mais saudável, sentia-me feliz e esperançada. No entanto, cai no erro de colocar a minha felicidade nas mãos de outra pessoa. Sim, foi isso que fiz e é isso que acontece quando pensamos que se tudo correr bem ou pelo menos tudo está encaminhado para tal, seremos felizes e a nossa vida mudará para o outro pólo oposto. Não poderia estar mais errada! Quando a nossa felicidade está dependente de segundos ou terceiros é meio caminho andado para a desgraça, menores as probabilidades de realmente sermos felizes e estarmos de bem com a vida. É em nós, nos nossos objectivos e sonhos que temos de encontrar a razão, o motivo para sermos felizes. Fazer aquilo que gostamos, aprender a amarmo-nos tal como somos, seres imperfeitos com um punhado de defeitos, mas um enorme rol de qualidades e dons a serem descobertos. Há que aprender a amar essas imperfeições e a aceitá-las, contorná-las quando não as podemos mudar. Realmente houve quem me desiludisse de forma descomunal pela sua completa mudança de atitude, totalmente inesperada e que eu ainda não consegui entender o porquê de ter agido assim. Eu não o faria sem pelo menos dar uma palavra, sem conversar e explicar o porquê de tudo se ter desenrolado dessa forma. Mas não somos todos iguais, há quem não tenha essa sensibilidade e só me resta respeitar.
  • Lição # 2: A nossa felicidade deve apenas e só estar dependente de nós próprios, do que podemos fazer, dos nossos comportamentos e nunca dependente de outro, da sua atitude, do que ele possa sentir, fazer, etc. Primeiro de tudo, devemos ser felizes sozinhos! Se mais alguém se juntar, será bem-vindo e recebido da melhor forma possível!
Tenho 35 anos e ainda estou a aprender estas coisas simples e a tentar colocá-las em prática. Parece ironia, mas é pura verdade. Esta vida é uma longa aprendizagem e ainda bem que assim o é! Só torna esta caminhada mais produtiva e aliciante. No entanto, se puder aprender com menos dor até ia agradecer de coração!
Finalizo com uma citação que vem de encontro ao que escrevi: 
"É na dor e no sofrimento que aprendemos a dar muito mais valor à vida e é com a própria vida que amadurecemos cada vez mais." (Paulinho Gonçalves)
Até breve, de preferência com melhores notícias/partilhas e mais alegria no coração!

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