Resquícios do Halloween e do Dia de Todos os Santos

terça-feira, novembro 03, 2015

Hoje venho partilhar com todos vós mais um pedacinho de mim. 
Desta feita e ainda no rescaldo do Dia das Bruxas (Halloween) e dia seguinte (Dia de Todos os Santos), vou abordar as tradições que existem na minha família e as quais pretendo ou não perpetuar. 

Começando pelo Halloween, não tenho qualquer memória de o comemorar. Na década de 80 do século passado (neste momento acabei por me sentir uma velhinha no final de vida ao recordar que nasci em 1980), não havia por hábito festejar este dia nas escolas ou em casa com familiares e amigos, pelo menos na localidade onde cresci. Assim sendo, esta tradição originária dos países de língua inglesa, em especial Reino Unido, Irlanda, Estados Unidos da América e Canadá, não me apraz grande fascínio ou interesse na mesma. Considero esta comemoração uma "importação" com objectivos comerciais, nunca fez parte da minha infância ou adolescência e já como adulta confesso que não acho grande piada! No entanto, gostos não se discutem e se for mais um motivo para os amigos se juntarem numa saída repleta de diversão, então que assim seja! Mas não contem comigo mascarada de vampira, esqueleto, zombie ou bruxa! Máscaras quando muito no Carnaval e, se possível, com o glamour e elegância de Veneza!
Esta é das imagens mais fofas que encontrei na net referentes ao Halloween ("Trick or Treat")
&

Estas foram as mais "apelativas"! Como gulosa incurável, não poderia deixar passar em vão um "apontamento culinário" tão saboroso como este! 
Há meia dúzia de anos, tomei conhecimento que no dia 1 de Novembro (Dia de Todos os Santos) em algumas zonas do país, as crianças saem à rua em pequenos grupos para pedir o "Pão-por-Deus de porta em porta. O "Pão-por-Deus" ou "bolinho" são oferendas tais como: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos (nozes, amêndoas ou castanhas) que as crianças recebem após recitarem versos e que colocam dentro de sacos de pano que transportam consigo. 

"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À bela, bela cruz
Truz, Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
Para vir dar um tostãozinho."

Será que hoje em dia as crianças ainda recitam versos como este ou similares? Ignoro se tal tradição ainda se mantém. Aqui pelo distrito do Porto nunca presenciei este costume, mas certamente que ainda está presente em algumas povoações portuguesas. É usual na localidade onde habitam? Sabem de locais onde esta tradição ainda se mantém? Conto com a vossa partilha para me darem a conhecer mais um pouquinho da nossa cultura popular.

Quanto ao Dia de Todos os Santos e, uma vez que venho de uma família católica e praticante de todos os ritos presentes nesta religião, cresci com a chamada "romaria aos cemitérios". Confesso que à medida que fui crescendo, distanciei-me desta prática ao deparar-me com determinadas situações com as quais não concordava. Acho impensável gastar imenso dinheiro em arranjos de flores que não passam de demonstrações exteriores de riqueza perante os restantes membros da comunidade. Fui crescendo e apercebendo-me da coscuvilhice e do cochicho em torno da campa da família X ou Y, do modo como estava enfeitada, das flores vindas do estrangeiro, do dinheiro gasto nas mesmas, etc. A única coisa que me passa pela cabeça é o desperdício de dinheiro que poderia ser empregue em tantas outras coisas bem mais úteis. Além do mais, as flores tal como as medalhas e homenagens devem ser oferecidas em vida,  para poder receber e usufruir deste gesto de ternura e apreço. É nessa altura que faz sentido, não depois da pessoa já não estar fisicamente entre nós!
Contudo há um costume que quero, sem dúvida alguma, perpetuar: o lanche em família do qual constam as castanhas cozidas com funcho (erva doce) juntamente com o "segredo" guardado de geração em geração, aquele ingrediente extra que dá um gostinho especial à castanha e que nos faz "lamber os beiços" só de pensar nas mesmas. Por norma, este era o primeiro dia do ano em que comíamos castanhas.
Em criança e juntamente com os meus primos, pais, tios e avós íamos apanhar as castanhas que ainda se encontravam nos ouriços semi-abertos espalhados pelo chão em volta dos castanheiros. Levávamos um pequeno pau para ajudar a abrir os ouriços, enquanto os prendíamos com os pés. Os mais velhos tinham as luvas de jardinagem que eram uma ajuda preciosa para retirar as castanhas sem se picarem nos espinhos. Guardo com ternura estas memórias! São momentos que ficam para toda a vida e que marcaram uma infância no campo, a qual me permitiu ter contacto com as mais variadas actividades praticamente inexistentes para quem cresce na cidade. Sou grata por tudo isso! Após nos deliciarmos com as castanhas vinha para a mesa a panela com as papas de nabiças feitas com farinha de milho, tudo isto para gáudio dos mais velhos.


Papas de Nabiças
Por incrível que pareça, nenhum dos membros desta última geração dos "Pascoas" (nome pelo qual a nossa família é conhecida) gosta das mesmas! Por este andar as papas serão substituídas por uma sopinha de legumes ou um caldinho verde bem saboroso. Aqui se vai aplicar a tão conhecida expressão: "a tradição já não é o que era!".

Assim foram os meus últimos dias! Como podem verificar, muito pacatos, mas aconchegantes! Um deles passado no quentinho de casa a "ronronar", o outro rodeada pela família em casa da avó e a mimar aqueles que mais Amo. Posso dizer que este último foi a melhor forma de dar início ao mês de Novembro! Que hajam mais dias assim!!

Que este novo mês seja repleto de tudo aquilo que desejam!
E... Não se esqueçam de continuar a "caçada" em busca dos tão almejados sonhos que povoam a vossa imaginação!
Beijos e abraços para todos!

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