A vida é feita de escolhas

terça-feira, janeiro 05, 2016

"A vida é feita de escolhas." Esta é uma expressão que todos conhecem, que se tornou num cliché de tanto ser escrita e falada, mas é uma verdade difícil de refutar.

Ao longo da nossa vida vemo-nos na obrigação de fazer escolhas, renunciar a algo que por vezes até queremos muito, escolher um caminho em detrimento de outro... Vamos ter de fazer opções toda a vida algumas das quais nos vão custar e muito! No entanto, quando escolhemos determinada via pensamos e tomamos a decisão tendo em consideração que é o melhor para nós e para quem nos rodeia. Isso deveria tranquilizar-nos, não é verdade? Pois, mas nem sempre nos acalma e sossega saber que o fizemos conscientes de que era o melhor a ser feito naquele momento, a decisão mais sensata e correcta.


Quem não me conhece verdadeiramente, talvez 99.9% de quem me rodeia (acreditem que dentro do meu circulo de amizades só 1 ou 2 pessoas estão a par da minha realidade), imagina a minha vida como algo de muito colorido e desafogado. Não sabem nem 1/10 daquilo que vivo, pois também não me sinto à vontade para o partilhar, sou reservada (muito mais do que possam pensar) e guardo muito daquilo que sinto só para mim. Foi assim que eu cresci e dificilmente irei mudar e abrir este casulo por muito que até possa confiar em quem está do outro lado. Há quem seja expansivo, desabafe facilmente e com qualquer pessoa. Eu não sou, nunca fui e creio que nunca serei assim. Desabafar na totalidade só o consegui fazer com algumas psicólogas e porque sabia que aquilo que seria dito dentro daquelas quatro paredes não iriam sair daí, o sigilo profissional assim o obrigava. Não é que eu tenha segredos condenáveis e que me levem ao estabelecimento prisional mais próximo, apenas sou extremamente reservada e quando vejo que à minha frente está uma pessoa que também tem os seus problemas e que o seu fardo já é demasiado pesado, deixo que desabafem comigo e "fecho-me a sete chaves" ao ver que, se calhar, o meu dito problema é apenas um grão de areia num imenso areal. É óbvio que quando é "nosso" atinge proporções desmesuradas e parece que estamos perante o fim do mundo, às portas do verdadeiro "Armagedom"! É nosso, dói como só nós o podemos sentir e mais ninguém o entenderá a não ser que esteja a passar por igual situação. Cada um de nós enfrenta os seus obstáculos de forma muito própria. Há quem veja sempre o lado positivo em tudo o que lhe acontece e há quem apenas consiga ver o lado negro e a desgraça que lhe vem a caminho. Estou a fazer um esforço para sair deste último registo que tem pautado a minha vida ao longo de muitos anos e estou a aprender a encarar a vida como um longo aprendizado, com dias bons e outros tantos menos agradáveis que se fazem presentes para que algumas lições possam ser retiradas, para que possamos crescer, evoluir, amadurecer.
Como disse acima, a minha vida de conto de fadas nada tem! Tenho de abdicar de muito que desejava ter, rejeitar um punhado de convites de amigos por não os poder acompanhar nas suas incursões gastronómicas, culturais, etc. Já não faço férias há 4 anos e não sei o que é ter uma escapadinha romântica de um mero fim de semana há outro tanto; roupa, sapatos e outros tantos acessórios de moda (todos os possíveis e imaginários!) pelos quais as mulheres ficam maravilhadas também têm de me passar ao lado, inclusive nesta época de saldos; jantares fora idem; idas ao cinema apenas quando existe o cartão de uma determinada operadora que permite ter um bilhete de oferta na compra de um outro, etc. Poderia continuar com a lista infindável, mas seria deveras maçador! Só há uma coisa da qual não abdico: livros. E junto todos os trocos que posso para os comprar. Faço uma compra e já tenho em mente os 2 ou 3 livros que gostaria de ter nos próximos tempos. Descobri o prazer da leitura quando entrei em depressão pouco depois dos 20 anos. É através dos livros que viajo, que vivo um sem mundo de aventuras que me colocam por longos minutos e horas longe da realidade, que me faz esquecer de tudo o que me preocupa e entristece. Vivo intensamente a vida de cada um dos personagens e disso não pretendo abdicar! É a minha droga e deste vício recuso o tratamento! 
Sei que muitos dos convites que recebo acabo por rejeitar porque não tenho outra escolha. Provavelmente, daqui por uns tempos os amigos vão deixar de os fazer e desistir de tanto insistirem. Optei por ter o meu espaço e com isso uma prestação para pagar incluindo tudo o que é inerente a uma habitação, uma propina na faculdade ainda mais elevada, gasolina para colocar no carro pois infelizmente não anda a água, alimentação, material para a faculdade, ... , e no final pouco ou nada sobra! Esta foi a minha escolha e com ela vieram umas tantas renuncias. Todas as escolhas têm consequências e temos de aprender a viver com elas, a aceitar e a seguir em frente. Dos amigos o que espero? Não que as critiquem, nem que as compreendam, apenas que as respeitem! Se ficam tristes por ouvirem uns "nãos" eu fico ainda mais por os ter de dizer quando até tinha vontade de os acompanhar  e quando resolvem amuar só me apetece dar-lhes dois pares de estalos para acordarem e verem que se rejeito é porque não tenho possibilidade para os acompanhar, para me deslocar a determinados locais porque a "gasosa" está no limite e a luzinha amarela do painel de instrumentos já acendeu há uns dias!

Se algum dia me vou arrepender das escolhas que fiz e faço? Destas últimas não sei, apenas sei que já me arrependi de muita coisa que fiz sabendo que graças às minhas escolhas as quais mais tarde se revelaram erradas causei o sofrimento a terceiros que somente queriam o meu bem estar. 

Acho que é mal geral, não apenas meu assim espero, olharmos apenas para quem está bem na vida e esquecemo-nos de quem está mil vezes pior do que nós. Muitas vezes só caio na realidade quando estou a fazer voluntariado com os sem-abrigo e me deparo com determinadas estórias de vida. Só nesses momentos é que vejo o quanto tenho e o quanto devo agradecer à vida, aos pais, etc. O nosso erro é nunca nos "compararmos"com quem tem menos, é não olhar para o outro  que daria tudo para ter um pouco do que temos. Ainda há dias um amigo meu se queixava da vida que tinha e eu só lhe disse: "Se tivesse tudo o que tens seria a mulher mais feliz neste momento. O resto conquistaria com o tempo." 
É certo que não lhe devo ter ajudado muito, mas foi o que senti e saiu assim meio sem pensar. Ele continuou na fossa e eu a pensar no que faria se estivesse no lugar dele. A verdade é que nunca estamos bem com aquilo que temos! O ser humano é insatisfeito por natureza! Podemos ter muito, mas achamos sempre pouco e desejamos um pouco mais. Temos (e eu estou incluída) de começar a agradecer mais aquilo que nos é proporcionado ao invés de estar sempre a criticar a vida que levamos e a apontar para o que nos falta. O pouco que temos pode ser uma fortuna para alguns e "ignoramos" essa realidade.
Estou e irei estar continuamente a aprender a viver com as minhas escolhas e com as consequências que elas possam trazer. Estou a crescer com elas e enquanto achar que esse é o caminho irei continuar a traçá-lo. Quando vir que não me satisfaz irei procurar outro que me traga maior felicidade e realização pessoal. 

(Oh God, acabei por escrever mais um testamento e nem escrevi metade do que desejaria ter abordado nesta publicação. A saga continua numa próxima publicação quando assim achar oportuno!)

Um beijo para todos e até breve!!


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2 comentários

  1. Concordo com tudo o que disse. Infelizmente o ser humano é muito insatisfeito e uma das coisas que mais tenho aprendido com os meus ainda pouco anos de vida, 20 para ser precisa, é que temos que ficar gratos com o que temos. Ambição q.b não faz mal, claro, só nos faz evoluir e procurar por novas aventuras, oportunidades, etc. porém quando é demais ou de menos acabamos por estagnar. E estagnar não é opção nesta sociedade em constante movimento, em constante evolução.

    Em relação à ambição por livros, tal como disse "é a minha droga e deste vício recuso o tratamento!". Esta é a mais pura das verdades! Livros nunca são demais! Um livrinho aqui, outro daqui a algum tempo, só nos faz bem, faz bem à alma. E da alma temos que cuidar não é?

    Gostei muito do texto e aguardo pela continuação da "saga". :)

    Brenda C.
    http://suspirosdocoracao.blogspot.pt

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  2. Obrigada pelo teu carinho e pela partilha! Prometo estar atenta às tuas próximas publicações! ;)
    Anita - A Caçadora de Sonhos

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