Eu sabia que não ia ser fácil!

sexta-feira, janeiro 15, 2016

Olá a todos os que visitam este cantinho!

Tudo bem desse lado? Espero que se encontrem bem e prontos para o fim de semana que para uns será de descanso e para outros de trabalho e/ou estudo.

Por cá nem imaginam um pouco do que se tem passado. Apenas passaram 15 dias desde o início do ano e já cai, levantei, voltei a cair e a reerguer tantas vezes que já desisti de contar. 

Sabia que não ia ser fácil. São 15 anos de pensamentos criados, de rotinas, de comportamento e vivências difíceis de serem alterados. Vou tentar explicar-vos um pouco, dentro daquilo que me é possível saber e dos meus conhecimentos. De início a comparação pode parecer-vos absurda, mas não o é de todo! Vejamos o caso de um toxicodependente, um adicto químico, de álcool, jogo, ou de outro âmbito. Por muito que expresse a sua vontade de mudar de vida, pois sabe que assim não poderá continuar, está cansado de infligir dor a si mesmo e aos que lhe rodeiam, de viver uma vida em que o vício comanda e é o aspecto central da sua existência, por mais que o verbalize: "quero mudar, quero deixar o vício e ter uma vida saudável!", o inconsciente bloqueia-o constantemente, pois no seu intimo tem muito medo de mudar. A mudança causa dor, sofrimento, há que alterar velhos hábitos, por vezes toda a sua existência, adquirir novas formas de pensamento, ter novos objectivos de vida, alterar todo o seu dia-a-dia errático e focar-se somente em si mesmo. Todo o ciclo vicioso de pensamentos e comportamentos têm de ser alterados, há feridas do passado que não foram de todo curadas e tão pouco cicatrizaram, há que tocar nas mesmas, "desinfectar" (falar sobre o que realmente dói, as causas que o levaram àquele estado) e só aí é que estas poderão ser curadas com o seu tempo e perseverança. Por muito que possam achar que acabei de apresentar um caso muito diferente do meu, na realidade não o acho de todo! Quem sofre de depressão e ansiedade (esta última desde a escola primária, foi crescendo gradualmente e atingiu o pico por volta dos 19/20 anos onde realmente se tornou extremamente visível dada a minha incapacidade de lidar com situações de avaliação, pressão, onde por qualquer razão possa estar a ser "escrutinada", chegando a fugir das mesmas como quem foge da própria morte) há cerca de 15 anos, compreende esta comparação. São 15 anos  (sabem o que isso é nas vossas vidas? na minha quase metade dela!) com pensamentos criados e de tal forma intrincados que não se conseguem mudar de um dia para o outro nem de um mês para outro! Há rotinas por mim criadas (e por todos aqueles que estão deprimidos ou que tenham outro tipo de transtorno) que já se tornaram de tal forma parte de nós que sinceramente já não sei como as alterar. Já parecem tão normais como o tomar banho, comer e lavar os dentes, que por mais erradas que eu saiba que elas são e o mal que me fazem, não me consigo livrar delas. Provavelmente, muito provavelmente, tenho um medo enorme de mudar aquilo que eu conheço ser o meu "EU". Por muito que verbalize e escreva que quero mudar, ter outra vida, por trás está um medo aterrador que me imobiliza, que me faz cair repetitivamente nos mesmos erros cometidos no passado. Não sei se será apenas o medo de falhar, de não conseguir atingir os objectivos a que me proponho (erradamente anseio sempre pelos mais altos e difíceis de atingir ainda mais nesta situação em que me encontro), se já virou rotina viver ou melhor sobreviver assim. Escrevi sobreviver, pois quem vive o dia a dia triste, sem força de vontade, sempre com vontade de chorar e sem ânimo para muitas vezes lutar contra o corpo e mente não vive, mas sobrevive a uma luta interna.

Cada vez mais opto por não conversar ou desabafar com amigos. Tenho falado apenas com uma pessoa, de resto escrevo e quando acho por bem, publico. Na verdade, cansei de me sentir incompreendida, sei que para quem está de fora não deve ser fácil compreender algo que não vê nem sente. Não imaginam as vezes que desejei trocar esta "coisa" por uma doença visível, por algo que pudesse ser tratado e curado com medicação, com antibióticos e outros químicos que controlassem a infecção, a dor, que me fizessem voltar ao normal. Pode parecer-vos cruel, mas acreditem que seria bem mais fácil de ser tratado, saber que o foco do problema estava ali, atacá-lo e mobilizá-lo. De que me adiantaram 15 anos de antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos e um montão de outras merdas? (desculpem a terminologia!) Bem, provavelmente evitaram que caísse mais rapidamente na desgraça, permitiram que permanecesse por um pouco mais de tempo à tona e a respirar e muito provavelmente, ainda permitem que eu mantenha um pouco de esperança em que tudo isto se possa resolver, sem pensar em desistir de vez. Permitem que eu ainda vá sonhando com melhores dias. No entanto, não resolveram de todo o problema! Nem de perto nem de longe! Há comportamentos e pensamentos de fundo que não consegui alterar e que, sinceramente, não sei se terei mesmo de alterar, se aceitar que sou mesmo assim e viver com eles, adaptar a minha vida aos mesmos, seguir outro rumo. É que neste momento fico sem saber se andei metade da minha vida a lutar contra mim mesma.  Será que é mesmo isso que tenho de fazer ou simplesmente aceitar o problema que tenho, tentar lidar com ele, reestruturar os meus projectos consoante o mesmo? Sei que vou ter de lutar até à morte para os superar, sei que vou sempre viver com esta ansiedade, ainda que à medida que vá conseguindo atingir determinados objectivos ela possa ir diminuindo.

Fartei-me da treta dos exercícios de relaxamento para controlar a ansiedade. Que me desculpem os psicoterapeutas, Em 6 meses na clínica disse-lhes que quando atingia um determinado estado de ansiedade, não faziam nada. De nada servem quando estou bastante ansiosa, é que nem os consigo fazer. O objectivo seria não atingir esse estado de ansiedade, por ventura fazê-los enquanto ainda estava calma ou a começar a sentir alterações. Bolas! Quando estou calma não sinto qualquer necessidade de os fazer e sinto que é perda de tempo. E se os fizesse como prevenção? Como quem toma um medicamento para controlar a hipertensão ou o colesterol? O grave problema é que fora das situações de avaliação não sinto qualquer necessidade de fazer os mesmos e o meu intimo diz constantemente: "perda de tempo". Eu tenho a perfeita consciência que não sou nem nunca fui uma paciente fácil! Que sou casmurra e teimosa e que quando vejo ou sinto que não é por ali não faço o que supostamente deveria fazer e me foi indicado. É certo que não espero um milagre vindo do nada, nem que o meu pensamento e comportamento mudem de um dia para o outro, mas também é verdade que ainda não senti que é para "seguir por aqui ou por ali". E quando me dizem que tenho é que passear e desanuviar, divertir-me só me apetece mandá-los aquele certo sítio, pois quem vive em depressão não tem a mínima vontade de fazer qualquer uma dessas coisas e só o faz, muitas das vezes, obrigado e contrariado.

Por muito que deseje mudar, não o estou a conseguir! De todo! E sinceramente já não sei mais para onde me virar! Se é o medo da mudança, se toda a panóplia de pensamentos e comportamentos que tenho de alterar e que já estão vincados no meu dia a dia são algo que está a ser complicado vencer, se é por no fundo já ter desistido de mim, não sei!! Apenas sei que não estou a conseguir lidar novamente com tudo o que se assolou sobre mim. Estou novamente a perder o controlo e quando chegamos a um ponto em que os fracassos se repetem constantemente perde-se um pouco mais da fé e esperança que outrora se possuía. 

Sei que no fundo ainda não desisti. Ainda tenho sonhos que não coloquei de parte e sei que enquanto eles existirem não estou completamente perdida, não deixei de lutar. Mas que não está a ser nada fácil, não está!! E cada vez mais sinto mais dificuldade em dar a volta à situação, pelo menos a meu favor.

Agora deixo aqui um pedido: Já passaram por algo do género ou um familiar/amigo vosso? O que os ajudou a resolver ou a minorar a situação? Podem partilhar comigo?

Obrigada pela paciência em lerem mais um testamento.
Beijinhos para todos e se souberem de algo que me possa ajudar ficarei muito grata!


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