"Sozinhos somos inteiros"

sexta-feira, março 25, 2016


Olá a todos os que me acompanham neste cantinho!!


Como têm estado? Preparados para um fim-de-semana prolongado? 
Já com planos para estes 3 dias que se avizinham?

Já não vinha ao blogue há uns bons dias. Acabei por deixar passar mais tempo do que aquele que desejava. É um erro que realmente tenho de combater e, pelo menos, tentar ser um pouco mais assídua por aqui. Afinal de contas, é algo que me faz bem. Escrever é a minha melhor forma de desabafar e puder partilhar com quem está disposto a ler é sempre gratificante, uma vez que nem sempre estão dispostos a nos escutarem...



Tenho uma publicação em atraso referente à última antestreia que fui ver ao cinema, mas há algo que tenho andado a "magicar" e que me tem dado que pensar nestes últimos dias.
Pela primeira vez em muitos e longos anos, creio que deve rondar os 15 anos (sou uma dinossaura sentimentalista), não estou apaixonada, enamorada ou de olhinhos num moçoilo. Acreditem que isto não é nada normal em mim e até me coloquei a pensar no que estaria a acontecer comigo. Nestes anos tive namorados e quando não os tinha andava sempre de olho em alguém, interessada em conhecer melhor, a desejar um romance, etc. Há 6 meses decidi que devia cuidar de mim, parar um tempo para pensar e primeiramente aprender a gostar de mim tal como sou, com todas as virtudes e defeitos. Dei por mim a adorar estar sozinha, a tirar o máximo de prazer nos momentos a sós e a gostar imenso dessa liberdade. De poder ir para onde quiser quando assim o desejar, sem ter de dar satisfações a ninguém por sair com este ou aquele amigo ou grupo, sem ter de fazer os ditos "fretes" (quando se gosta até nem são bem fretes, apenas coisas que não gostamos tanto de fazer, mas que para acarinhar e ver o outro bem acabamos por fazer), sem ter rotinas a cumprir, etc. E, na verdade, não senti nem sinto a mínima falta disso!

Sempre fui aquela pequena que achava que só seria feliz e estaria bem na companhia de alguém, tendo namorado, alguém a seu lado. Acabei por descobrir que posso ser tão ou até mais feliz sozinha! Nunca pensei estar a escrever e a admitir este facto. Nunca imaginei vir a ter este sentimento! Como é óbvio, há momentos em que desejo ter a companhia de amigos, sair em conjunto para um almoço, jantar ou um simples café. Apesar de gostar muito desta minha solidão, não sou uma ilha isolada no meio do oceano, sou um ser social, ainda que vista por muitos como anti-social. Esta terminologia talvez seja demasiado forte. Apenas me fechei um pouco mais depois de alguns acontecimentos e decidi aproveitar e retirar o maior partido dos momentos em que estou só. Os embates que vamos sofrendo ao longo da vida não matam, mas moem! Vão deixando marcas, por mais que o tempo passe há determinadas situações difíceis de esquecer e que aos poucos vão minando a confiança que depositamos nos outros. O que vivi na adolescência e, mais tarde, na idade adulta quando cai em depressão deixou sequelas. Ainda existem situações a serem ultrapassadas e trabalhadas para que eu possa melhorar e tornar-me naquilo que realmente desejo ser. 

Os últimos acontecimentos, nomeadamente aqueles que estão relacionados com as amizades, também contribuíram para que ficasse mais tempo no meio cantinho. Estar num grupo e sentir-me a mais, saírem para conversarem em particular e deixarem-me de parte como se fosse um objecto de decoração, foi uma das situações que mais me magoou nos últimos tempos. Têm outras oportunidades para conversarem a sós, porque razão a meio de uma conversa em grupo saem e me deixam a olhar para o tecto? A meu ver é uma enorme falta de respeito. Já passei por isso na adolescência e prometi a mim mesma que jamais o iria fazer a alguém e muito menos a uma amiga(o). Apesar de me chamarem a atenção, de me dizerem que amigos verdadeiros não têm este tipo de atitude e que devia confiar menos em algumas pessoas, na realidade, ingénua ou inocentemente acabo por ser a primeira a defendê-los e a dizer que o fizeram inconscientemente, sem se aperceberem do comportamento que estavam a ter para comigo. Prefiro pensar que não o fizeram de propósito, não é querer enganar-me, mas sim acreditar que as pessoas com as quais me abri e entreguei de coração são realmente boas pessoas, confiáveis e integras. Não me dou, nem me "abro" ou mostro quem realmente sou com facilidade. Aliás, é muito raro isso acontecer, mas quando o faço entrego-me de coração nessa amizade e dou tudo aquilo que posso e tenho para oferecer. Se poderia dar mais de mim? Sim, na verdade poderia dar muito mais, mas as actuais condições em que me encontro e as feridas que ainda tenho para sararem impedem que o faça com maior abertura e entrega. 


Aliado a esse facto, apercebi-me que há amigos que apenas nos procuram quando levam uma tampa de uma mulher ou homem, quando os demais não estão disponíveis para uma saída à noite pois têm outros planos e não os incluíram, e então, nesse momento lembram-se que estamos sempre disponíveis. Somos como um objecto na prateleira à espera de ser utilizado quando necessário, uma espécie de segunda opção que não os deixa ficar mal, pois está sempre disposta a tapar os buracos deixados pelos outros. A bolha vai enchendo até que atinge aquele ponto em que rebenta e foi isso que aconteceu com a minha paciência e condescendência. Fartei-me e acabei por dizer "Basta!".


Em alguns casos, já é um comportamento típico ao longo dos anos e resolvi pôr fim a isso mesmo. Rejeitei os últimos convites ao longo de mais de um mês. Passam uma semana ou mais sem dar notícias ou procurar saber como estou, mas quando precisam já não há problema em enviar mensagem ou telefonar. Até posso gostar de estar com essas pessoas, não o vou negar, mas acho que também precisam de compreender que não é só quando lhes apetece, quando lhe convém ou quando precisam de companhia. Eu existo para além de todas essas situações e não apenas nos momentos em que levam tampas ou os deixam pendurados. 

Já várias pessoas me têm dito que me fechei demasiado e que não me dou a conhecer. Sempre fui assim reservada, uma garota que aprendeu a ficar no seu canto. Os últimos abalos fizeram-me voltar um pouco mais para mim mesma e a aprender que, por vezes, só podemos confiar em nós mesmos e pouco mais do que isso. 


Também é estranho constatar que não sinto falta de conhecer novas pessoas, não tenho sentido essa vontade nem desejo. Não sei se é uma forma, ainda que um pouco inconsciente, que encontrei para me proteger de possíveis desilusões ou se é mesmo por me estar a sentir bem sozinha e não precisar ou sentir necessidade de estar acompanhada para me sentir plena e feliz. Tenho várias alturas em que prefiro ficar num serão a sós, lendo, assistindo a uma série, a escrever ou a ouvir música. 



Creio que se trata mais de uma escolha do que propriamente de uma imposição. E, sinceramente, nunca pensei que poderia dar-me tão bem sozinha e ser feliz nesta situação. Se quero encontrar uma "cara metade"? Óbvio que sim, mas deixei de viver centrada nisso, de estar sempre à procura do tal e passar a viver mais concentrada em mim do que na expectativa e constante procura de alguém que me fizesse feliz. Para mim é novidade estar tanto tempo sem sentir qualquer interesse num ser do sexo masculino, de não existir viva alma que me cative ao ponto de sentir borboletas na barriga e esperar ansiosamente por uma mensagem ou telefonema. Tive momentos em que esta espera deu cabo de mim, trouxe tanta desilusão que resolvi que o melhor que tinha a fazer era não depender de alguém para estar bem e realizada. É bom sentir aquele friozinho no estômago quando marcamos um encontro com alguém que desejamos. Quem sabe um dia o possa voltar a sentir, mas sinceramente não é coisa que me preocupe neste momento! 

Penso que esta fase de reclusão será temporária. Precisava de aprender que poderia ser feliz sem namorado e fazer tudo aquilo que quisesse sozinha, sem precisar de uma "muleta" ou "apêndice". O que inicialmente parecia impossível, fez-me ver que colocamos demasiados obstáculos na nossa caminhada ao acharmos que não somos capazes de ter determinado comportamento. Como já disse, temos alturas na vida em que somos o nosso maior inimigo, deixamos que o medo nos tolde os sentidos e impeça de caminhar e descobrir que há muito para além do que está à nossa frente.

Este período tem-me feito bem, tenho aprendido e só espero que possa servir para crescer enquanto ser humano. Sem rancores ou mágoas a escurecer e a amarfanhar o coração. Cada um de nós tem batalhas a combater, barreiras a superar e nem sempre consegue agir da melhor forma perante os outros. Também já errei e certamente que irei errar mais umas quantas vezes. Não posso estar sempre com receio de cometer erros, mas há que estar atenta e ter a humildade para assumi-los e pedir desculpa pelos mesmos.


Já passaram por alguma fase da vida em que sentiram necessidade de se isolarem e assim encontrarem a vossa verdadeira essência? Perceber que podem estar bem nessa situação e não sentir falta de mais ninguém? Que afinal de contas são muito mais do que julgavam ser e, que por si só, se sentem inteiros e não metades incompletas?



Termino este pequeno desabafo com o desejo de voltar em breve para retomar o que esta semana ficou em falta. 

Aproveitem este fim-de-semana prolongado para comerem muitas amêndoas e ovos de Páscoa. É uma das alturas do ano que passo em família, colocamos a conversa em dia, partilhamos vivências, recordamos momentos que nos fizeram felizes, pessoas que já partiram e que deixaram imensa saudade, tudo isto à volta de uma mesa cheia de doçuras. É um domingo de engorda e de coração cheio. Amo estes momentos, sou uma típica carangueja como podem ver!!







Um grande beijinho e um xi-coração para todos!!

Tenham uma excelente Páscoa!

Até breve!!

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