Um grito preso na garganta

sexta-feira, abril 08, 2016

Maternidade/Paternidade... 
Quantas(os) de vocês já tiveram o prazer de experienciar esta dádiva da Vida, de Deus ou do que lhe queiram chamar?
Infelizmente, ainda não fui abençoada por esta maravilha de ver e sentir um ser por nós gerado a crescer dentro da nossa barriguinha. Deve ser uma experiência fantástica, indescritível até ao momento em que tal aconteça. Sempre desejei ter filhos, aliás uma família grande! Quatro ou cinco seria perfeito para mim, mas um sonho irreal dadas as perspectivas quanto ao futuro que se avizinha.

Adoro estar com crianças, cuidar, mimar, dedicar todo o meu tempo (dentro do que é possível) e imagino-me a ser mãe desde sempre, desde que me conheço como gente! A partir dos 25 anos essa vontade intensificou-se e hoje com 35 anos tornou-se muito maior, de tal forma que me dói, sinto uma enorme tristeza por ainda não ter vivenciado a maternidade. Só quem deseja e muito ser mãe e ainda não teve possibilidade para tal é que imagina a tristeza que se sente lá no intimo.

Nestes últimos tempos, vi muitas barriguinhas a crescer e mais uns quantos bebés a nascer de conhecidas e amigas. Algumas das quais sempre me disseram que não desejavam ter filhos, que não eram uma prioridade, não sentiam o "relógio" biológico, etc, no entanto, por pressão da família/marido ou então por "descuido" acabaram por ficar nessa situação. Quantas vezes eu pensei: "Eu que tanto desejei ser mãe, ainda não fui presenteada e quem não tinha o mesmo como objectivo já tem o privilégio de ter um Ser nos seus braços. São umas sortudas e abençoadas!". :)

Podem estar a pensar: "Então porque não tens?!".
A minha resposta é simples e a mesma se aplica a muitas mulheres e homens:

  • Não tenho a mínima estabilidade financeira para tal e não vou sobrecarregar quem me rodeia com mais um "fardo a nível monetário", ainda que no fundo também desejem ter mais um membro na família. 
  • Além disso, quero concluir a formação que estou a tirar e, quem sabe, assim proporcionar um melhor nível de vida, no mínimo igual ao que pude ter enquanto criança, adolescente e já adulta. É óbvio que ninguém quer andar para trás e deseja sempre, pelo menos manter o nível de vida que tem, senão mesmo, aumentá-lo. 
  • Por último, não posso ser egoísta ao ponto de querer um filho da mesma forma como quem vai às compras e vê uma peça de roupa que gosta e traz para casa. Um filho não é um "objecto" para satisfação dos nossos caprichos. Exige cuidados extremos, dedicação, afecto, educação e um bom punhado de notas ao fim do mês para suprir a mensalidade no infantário, a alimentação, cuidados médicos, de higiene, etc. Algo que acho essencial, é ter uma família estável e saudável, um casulo protector com pai e mãe presentes (pai-pai, mãe-mãe, dependendo da orientação sexual de cada um). Faz-me alguma confusão ser mãe sozinha, não por me achar incapaz, mas por achar essencial a presença de um pai na minha concepção de família. Referi este ponto, pelo facto de muitas amigas me terem dito que poderia ser mãe solteira e me "encorajarem" a tal. Nada contra quem o é, mas engravidar de um homem "qualquer" com quem se anda a dar umas "berlaitadas" ou então do namorado que até não está muito receptivo à ideia e, de seguida, mandá-lo às favas ou ele a mim, não me parece a situação ideal nem desejável, uma vez que, como pai de um filho meu terei de levar com ele para o resto da vida!
Sinto-me triste, melancólica por aos 35 anos (a 3 meses de entrar nos 36) ainda ter de adiar a maternidade não sei bem por quantos mais anos. O tempo passa, há a pressão familiar: durante meses tive de levar com um tio todo o santo fim-de-semana a dizer que estava a ficar velha para ser mãe, que ia ter imensos problemas para engravidar, que teria imensas probabilidades de o bebé não nascer saudável e mais um rol de azares possíveis e imaginários! Ainda há quem pense que ter filhos é apenas parir e que depois não é necessário fazer mais nada. Sim, sabendo das minhas condições e dizerem para ser mãe que se fazia tarde, é como dar um tiro no pé. 
É ir passear com os pais, encontrarem seus conhecidos e perguntarem se já são avós. Nem imaginam o quanto custa ouvir tudo isto desejando eu ser mãe!

É apenas mais um desabafo, estava a precisar de fazê-lo, de colocar por escrito o que raramente verbalizo com os que me rodeiam. Perante a maioria das pessoas tento desvalorizar, falo daquilo que ainda tenho por fazer e tento não demonstrar a tristeza que sinto por ainda não ter um rebento. Tirando uma ou duas pessoas com quem consigo ser sincera quanto a este tema, com as restantes tento sempre mudar de conversa e tornar o facto pouco relevante. 

A verdade é que o passar da idade realmente me assusta. A adopção sempre esteve nos meus planos, mas desejo-o pela vontade de proporcionar a uma criança uma vida melhor e bem mais estável do que a que lhe foi dada nos primeiros meses e anos de vida, não como um segundo plano, como algo a fazer pelo facto de não poder ser mãe biológica. 

Espero daqui por uns anos estar a ler esta publicação com um filhote nos braços e a sorrir por finalmente ter concretizado um dos meus maiores desejos, senão o maior deles todos! É um propósito de vida, não fosse eu uma carangueja muito ligada ao conceito de família e tudo o que o mesma engloba.

Para quem já é mãe/pai aproveitem ao máximo todos os momentos que podem ter na companhia dos vossos filhos, desfrutem dessa dádiva que vos foi dada e que muitos gostariam de ter e ainda não a conseguiram atingir.
Vivam intensamente a maternidade/paternidade!

Que um dia eu possa sentir intensamente o que aqui se segue:

A todos desejo um excelente final de semana e que este fim-de-semana seja repleto de tudo aquilo que tanto desejam!!
Beijinhos e abraços!
Até breve!

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