Uma espécie de carta

quarta-feira, maio 25, 2016

Há alturas em que a saudade aperta, engulo o pouco do orgulho que me resta e vou de encontro a ti.
Procuro saber como estás, como têm corrido os últimos dias, se precisas de algo. 
No fundo, quero saber se sentes a minha falta da mesma forma que tenho sentido a tua ausência. 
Quer-me parecer que não estás minimamente preocupado...
Sim... magoa, dói e muito, sentir que do outro lado há apenas indiferença e muita altivez que não te permite dar a outra face, mesmo quando sabes que é a atitude mais correcta.
No entanto, não consigo esquecer todos os bons momentos que vivi na tua companhia.
Não foi um mar de rosas, de todo que não foi!! Mas nem tudo foi mau...
Adormecer a teu lado, ter o teu abraço e beijo antes de cair no sono foram dos melhores presentes que recebi nesta vida.
Não perdurou no tempo, nem tampouco durou o que eu desejava, mas já aprendi que tudo na vida é efémero, passageiro. 
Ficam no pensamento os melhores momentos, os mais doces e ternurentos. Aqueles em que a cumplicidade e o afecto estiveram lado a lado e de mãos dadas, entrelaçadas como se fossem uma só.
Espero que o tempo amenize esta imensidão de emoções e transforme todas estas lembranças em pequenas bolas de sabão que se dissipam no ar, deixando na memória apenas o seu aroma doce, as suas cores brilhantes quando a luz incide sobre elas e aquela sensação de frescura quando rebentam ao entrarem em contacto com a nossa pele.
É apenas isto que quero recordar, as melhores experiências, as que me fizeram sentir única e especial ainda que por breves instantes.
Ainda aperta a saudade (nem imaginas o quanto!), ainda não te esqueci e não sei quanto tempo será necessário até que tal suceda.
Não faz sentido substituir-te por outro homem, não será dessa forma que te irei esquecer.
Na verdade, ainda não me sinto preparada para mudar de página, muito menos de capítulo ou livro.
Conto com a ajuda do tempo, esse eterno aliado, para que este sentimento se vá desvanecendo aos pouquinhos, lenta e suavemente, sem causar mossa nem tristeza.
Um dia, irei olhar para trás e ver que ficaste no passado juntamente com tantas outras recordações.
Nesse momento não irei sentir mais nada por ti e essa é uma das faces mais tristes do amor.


A paixão quer que tudo seja eterno, mas a natureza impõe que tudo acabe.

(Denis Diderot)

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