Momentos de Clareza

domingo, novembro 27, 2016

Bem-vindos a mais um desabafo!

Momentos de Clareza

Confesso que, infelizmente, tenho poucas vezes estes ditos "momentos de clareza". Quem me dera tê-los com uma maior frequência! 
  
Hoje, dei por mim a pensar no seguinte: Durante longos anos, mais de uma década para ser precisa, a depressão serviu de desculpa para muitos dos meus comportamentos. Refiro-me especificamente àqueles momentos em que não tinha qualquer vontade de sair ou fazer um ou outro programa. É que nem fazia o mínimo esforço e a doença era a dita desculpa perfeita: "Estou em baixo, não quero sair, não tenho vontade..."
Coloco a palavra desculpa em itálico pois, na verdade, a "Dee" (depressão) me deixava assim mesmo, em estado vegetativo, apática, sem forças e vontade de estar acompanhada. Preferia a solidão, estar isolada no meu mundo, ausente da realidade que tanto me deixava triste e incapaz de lutar. Deveria ter combatido esse estado, feito um esforço extra, ido buscar forças ao fim do mundo! Mas, nessa altura queria era fugir da realidade, da vida que levava. Hoje em dia ainda passo por momentos destes em que, se pudesse, desaparecia para parte incerta até ser capaz de enfrentar os obstáculos. Mas não posso! Acabo por perceber que perco dias de vida sempre que me isolo desta forma. Arrependo-me sempre por não ter sido capaz de enfrentar os problemas no devido momento, por não ter ido à luta na altura certa. 

Voltando ao assunto desta partilha...
A depressão serviu para desculpar muitas das minhas atitudes. Centenas de vezes, desmarquei saídas, programas em cima da hora ou no dia anterior. Concertos a que não fui apesar do dinheiro desembolsado, passeios e mini-férias, jantares, lanches ou um simples café com amigos! Houve alturas em que a minha mãe me subornava dizendo que me oferecia algo só para que eu reagisse. Tarefa inglória, nem assim eu reagia!

Durante todo este tempo,  nunca me coloquei no lugar do outro, no que poderiam sentir de cada vez que desmarvava programas alguns dos quais combinados com bastante antecedência. O meu estado de espírito era tão inconstante que se tornava complicado agendar algo. Para desespero dos restantes, raramente o conseguia cumprir. Até que chegou o instante em que deixei de combinar o que quer que fosse. Os amigos e familiares foram perdendo a paciência e, aos poucos, deixaram de insistir e fui ficando de parte, cada vez mais isolada e só. 
Estava tão centrada em mim, neste cancro da alma (só quem o vive ou viveu sabe o verdadeiro significado desta expressão)que não reparava o quanto desapontava os outros sempre que desmarcava algo, o quanto esse meu comportamento influenciava e as repercussões que tinha na vida dos demais, como por exemplo, os convites que tinham rejeitado para poderem estar comigo e eu em cima da hora anulava. Creio, aliás, tenho a certeza que não tinha percepção das consequências das minhas atitudes de tão centrada que estava em mim, no meu mundo
Foi necessário "passar para o outro lado da barricada" para entender o que se sente quando em cima do momento tudo o que se tinha planeado é colocado em causa e desmarcado. Sentir o desânimo por não poder realizar tudo o que tinha combinado e idealizado (logo eu que vivo no mundo da imaginação e do sonho em que escrevo, realizo e sou protagonista dos meus filmes e os elaboro mentalmente), aquela pequena revolta por ter negado um outro convite e à ultima da hora ficar sozinha, a tristeza por não estar junto de quem gostaria de estar. 
Os motivos poderão ser bem diferentes, mas os sentimentos que daí resultam são similares. 
Foi preciso sentir na pele para compreender o que se passa do outro lado,  o que o outro sente e experiencia. Foi bom isto ter sucedido,  só assim fui capaz de perceber as consequências do meus comportamentos. Graças a isso, pude compreender o outro lado, impulsionar o desejo de mudança, de fazer o esforço para combater o desejo de isolamento que por vezes sinto, de perceber que do outro lado está alguém que não tem culpa das minhas constantes alterações de humor. Alguém que tem outra vida para além de mim, outros amigos com quem poderia estar, outros programas que poderia ter feito e que, por ventura, poderia estar num momento menos bom e a precisar de sair, desabafar, estar com alguém, desanuviar e espairecer. 

Cada vez mais tenho a certeza que nada nesta vida acontece por acaso, nem as pessoas com quem nos cruzamos ou partilhamos a vida surgem sem qualquer motivo. Há uma razão para tudo, a qual se resume a uma palavra - Aprendizagem

De hoje em diante:

★ Que eu seja capaz de aceitar aquilo que eu não posso mudar, o que não depende apenas do meu desejo ou vontade pessoal; 

★ Que eu tenha a capacidade, força de vontade e fé/esperança para proceder às mudanças que tento implementar na minha vida há longos anos. 

O ano ainda não terminou e cada dia conta! Que todas as mudanças sejam possiveis e que as mesmas contribuam para que eu melhore e cresça enquanto ser humano! 


(As imagens não são da minha autoria.)



You Might Also Like

0 comentários

Deixa o teu comentário!
Agradeço a tua visita. <3
Até breve!

Divulgar Blogs

Bloglovin'

Follow

Pinterest

Tumblr