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Sugestões de leitura e cinema

Porque há textos que chegam até nós no momento certo, naquele preciso instante em que precisamos de uma palavra, de um gesto ou sinal que nos abane ao ponto de sabermos que era isto que nos faltava para tomarmos esta ou aquela decisão... Este é um desses textos, em  jeito de crónica!

Li numa publicação do facebook de uma amiga e não resisti a pesquisar algo mais sobre o mesmo.


Partilho com todos aqueles que me seguem e que este possa ser a força motriz que vos impulsione a tomar a tal decisão que andam a adiar há tempos sem fim.

Espero que gostem! 💗

"Há pessoas que nunca se decidem. Até há nomes de patologias para isso e estudam-se-lhes os comportamentos em gabinetes com pessoas sérias debruçadas sobre livros e relatos em lágrimas. 
Decidir seja o que for, na vida, não é fácil. Principalmente porque as decisões implicam escolhas e desde pequenos que sabemos que as escolhas são difíceis, que escolher uma coisa implica necessariamente prescindir de outra. Às vezes perco a paciência com os meus filhos quando eles ficam meia hora a olhar para o cartaz dos gelados sem se decidirem, digo-lhes que se apressem e eles deitam-me um olhar aflito e lá acabam, pressionados, por escolher um, com um ar pouco convencido.  Depois lembro-me o tanto que os adultos embrulham, hesitam, adiam e temem, as escolhas. Que arrastam pelos dias uma mala enorme e pesada de coisas e sentimentos e compromissos e pessoas de que não precisam ou querem realmente. Chegam a trilhar os dedos com o peso daquilo tudo, só porque lhes custa escolher. Decidir, deitar fora, seguir mais leves ainda que seja sem companhia nenhuma, mesmo que essa companhia fosse só uma enorme, pesada e obsoleta, mala. 
Escolher é um acto generoso, não escolher é egoísta e encerra em si, já, uma escolha, a de fazer prisioneiros.
No momento em que as crianças olham indecisas para o cartaz dos gelados, sonham que talvez possam ter todos, que comerão agora o de chocolate, depois o de morango, trincarão o de nata, sem que nunca a barriga doa. O que eles não sabem, porque ainda não cresceram, é que ao não escolher e ficando com todos, haverá meninos que não terão direito a gelados, haverá gelados que por conta da fartura não serão apreciados à altura da sua frescura e cremosidade e é por isso que se lhes devia explicar que o momento de hesitação não é mais do que um acto de brutal egoísmo.
Não escolher é prender a nós demasiadas alternativas que podem faltar a outro. Ora vejamos, se eu estiver entre um emprego e outro sem querer largar um, mas mantendo a esperança ao novo patrão, nesse entretanto, há um desempregado que já podia estar a trabalhar e não está, que está aflito, que acumula dívidas e desespero a cada um dos meus dias de indecisão, que não tem lugar, nem no emprego que ainda não deixei, nem no que mostro intenções de aceitar. É egoísta ou não é? Entendem assim?

Não fazer prisioneiros das nossas indecisões é difícil e às vezes magoa muito.
Ver nos olhos dos outros a frustração, perder aquela jangada que, quem sabe, nos poderia valer em caso de aflição é de uma coragem imensa. Duro mas honesto.
Na realidade ninguém merece ser apenas a jangada do outro. Todos nascemos para paquetes, para navios de primeira, bem comandados e a navegar no mar alto.
Eu liberto todos os pequenos barcos que prendi por medo, irresponsabilidade e egoísmo, no mar, deixo-os ir com a fé imensa que é disso mesmo que eles precisam por mais que doa e não, não tem a ver com sentir ou não grande e luxuosa embarcação na vida de alguém, mas apenas, acreditar que as pessoas de quem gosto merecem ter mais do que não-escolhas da minha parte e que merecem muito, mas muito, ser felizes.
Se eu puder, também serei, claro. 
Mas se tiver que nadar porque mandei todas as jangadas embora e o paquete encalhou, mesmo assim, continuarei a defender que é mais coerente não ir de jangada nem fazer de ninguém embarcação menor, porque ela pode até levar-nos à outra margem mas nunca romperá os mares com valentia e glória. 
Para mim, nada menos do que a valentia e a glória. Mesmo que me molhe toda até lá chegar.
E para os que estimo também.
(Mas dói.)"

Patricia Motta Veiga (09/04/2016)

Aproveito também para deixar-vos uma sugestão cinematográfica. Já ouviram ou leram algo sobre o filme Beleza Colateral (Collateral Beauty)?

Aconselho-vos a não perderem este filme! Mais um daqueles "achados" que surgem no momento certo para agitar os nossos pensamentos e até para amenizar aquela dorzinha que teima em não nos largar. Como me revi no papel da Claire Wilson interpretado pela Kate Winslet! 😔

A tríade Amor, Tempo e Morte e um punhado de excelentes actores! Chamem-lhe clichés, argumento retirado de livros de auto-ajuda, blá blá blá... Não quero saber de críticas referentes a este e outros filmes, livros, séries e assim por diante! Gostos não se discutem e, o mais importante de tudo, é que chegou ao meu coração e de mais uns quantos espectadores. Qualquer que seja o filme que nos prenda ao ecrã sem darmos pelo passar do tempo, completamente embrenhados na sua história, vivendo e sentindo o que cada um dos seus participantes experiencia, é sem dúvida alguma, um filme que nos deixa uma marca pessoal e do qual não iremos esquecer em breve. Quantos filmes vimos ao longo desta última década dos quais nos lembramos do argumento e do título?! Por norma, só permanecem na nossa memória aqueles que realmente foram muito bons, que por qualquer motivo nos sensibilizaram, ou então, aqueles que foram terrivelmente enfadonhos, de péssimo argumento e com actores/actrizes de desempenho muito duvidoso.

A meu ver, é um bom filme! Sai da sala a perguntar a mim mesma se o mesmo tinha sido baseado em algum livro. Pensava para comigo: "Se o filme foi assim tão bom, o livro deve ser estupendo!". Confesso que, na minha perspectiva, os livros são bem mais interessantes do que a sua adaptação ao cinema. (A léguas de distância mais envolventes! Permitem-nos dar voo à imaginação de uma forma incontrolada e esta é uma dos motivos que me levam a devorar livros!)

Fica a sugestão e segue-se o trailer para aguçar um pouco a vossa curiosidade! 😆

"Howard Inlet (Will Smith) é um publicitário nova-iorquino que leva uma vida aparentemente perfeita, até ao dia em que a filha morre. Uma imensa depressão abate-se sobre si. Inlet retira-se da vida que antes tinha e escreve cartas ao Amor, ao Tempo e à Morte, os conceitos abstractos que estavam na base da sua filosofia publicitária. O que Inlet não esperava era que estes respondessem e contactassem consigo sob forma humana.
Um filme dramático de David Frankel (..). O elenco vem recheado de pesos-pesados de Hollywood: Edward Norton, Kate Winslet, Helen Mirren e Keira Knightley, além de Michael Peña e Naomie Harris."

Espero que gostem de ambas as sugestões!








Já agora, eis o tema principal do filme: Let's Hurt Tonight dos OneRepublic. 🎶








Beijinhos e até breve! 💋

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