Redes Sociais - Exposição da Vida Privada (Parte 1)

by - janeiro 17, 2017

   

   Bem - vindos!
  Hoje resolvi escrever um pouco sobre a exposição da nossa vida nas redes sociais, seja pelo facebook, blogue ou outra via.
  Este tema será abordado em 2 publicações, esta é a primeira delas na qual dou o meu testemunho.




  Quantos de nós que possuímos um blogue já fomos criticados por amigos ou conhecidos que consideravam que expúnhamos demasiado a nossa vida por abrirmos o nosso livro ao público? Hoje resolvi escrever um pouco sobre a exposição da nossa vida nas redes sociais, seja pelo facebook, blogue ou outra via. Quem tem um blogue fica sempre sujeito a esta exposição, a uma panóplia de olhares alheios.

Proponho pensarmos um pouco em conjunto...

  Porque acham que muitas pessoas expõem tanto de si no facebook ou num blogue pessoal/diário?
Já pararam um pouco para pensarem no motivo por trás desta decisão?

  A minha resposta a estas questões não está apenas relacionada com a razão que me levou a fazê-lo, mas também nas estórias de vida de mais umas quantas pessoas que conheço e que também sofreram de escárnio, dedos apontados, conversas nas costas porque escreveram o que sentiam sem qualquer pudor.

(Aliás, devia ter dito o que sentia e pensava no momento em que também me criticaram, mas sempre a pensar em não criar mau ambiente ou inimizades, acabei por me calar e guardar para mim. Shame on me!)

Vou tentar expor o meu ponto de vista de forma clara...
Quem desabafa numa rede social, seja ela acessível a todos como um blogue, seja no facebook onde apenas os "amigos" têm acesso à informação publicada, é porque de alguma forma se sente no limite, no limiar de não saber o que fazer, a precisar urgentemente de um desabafo, de uma palavra amiga, de um simples gesto, como por exemplo, um abraço sentido e dado de coração.
Já pensaram que por trás daquele perfil está um ser humano que provavelmente não tem com quem conversar, com quem partilhar o que sente, alguém que simplesmente o ouça? É que na verdade, cada um de nós anda tão preocupado com a sua vida que se esquece do outro, daquele amigo que até sabemos não estar bem, mas como temos de fazer isto ou aquilo deixamos para amanhã ou para o dia seguinte aquela chamada ou mensagem apenas para dizer: "Olá! Tudo bem contigo?"


 Esta semana vi uma publicação de uma menina que partilhava o seguinte: Tinha estado embrenhada nos seus problemas, com falta de tempo e um dia recebeu uma mensagem de uma amiga que tinha passado por 3 tratamentos oncológicos e que, felizmente e aparentemente, tinha resolvido estes problemas de saúde. Respondeu à amiga com outra mensagem: "Estas férias prometo compensar-te e passar o máximo de tempo que puder contigo para colocarmos a conversa em dia". No entanto, esse dia nunca chegou! A amiga acabou por falecer, o cancro voltou e adoeceu muito rapidamente. Naquele momento a tristeza que sentia era avassaladora, uma grande mágoa por não ter retirado 5 minutos da sua semana para um simples telefonema. (Este é apenas um exemplo, poderia escrever outros tantos...).

Quem critica, especialmente os amigos ("amigos"), não lhes ocorre que se estivessem mais presentes na vida desse amigo ele não precisaria de procurar ajuda, uma palavra de conforto, de uma forma que não essa na qual dá conhecer a sua situação a centenas de "amigos", que na realidade são centenas de conhecidos e até um punhado de desconhecidos (amigos de amigos ou de conhecidos)?! Provavelmente, uma simples mensagem de telemóvel, messenger, um telefonema teria colmatado a dor que o outro sentia no momento. Se estivesse realmente presente saberia que o amigo precisava de ajuda para desabafar, para ser ouvido.


Ironias do destino... Todos aqueles que me criticaram, durante este último ano não foram capazes de me enviar uma mensagem a saber como estava. Eu é que entrei sempre em contacto para saber se estava tudo bem, até que me cansei de o fazer. Amizade envolve reciprocidade, remar em conjunto na mesma direcção, aquela que leva à construção e ao cimentar de uma relação.


Porque motivo resolvi partilhar uma parte de mim por esta via?


  Cheguei a um ponto em que não sabia para onde mais me virar, que rumo tomar para tentar resolver de vez com o meu maior problema. Expô-lo, dando-o a conhecer, é uma forma de chegar a outras pessoas que eventualmente possam estar a passar pelo mesmo ou que já o tenham ultrapassado. É uma tentativa de trocar experiências, diferentes formas para solucionar o problema. Somos todos diferentes, o que resulta para um nem sempre é a solução para outro, mas não custa tentar e quando se está em desespero procura-se tudo e mais alguma coisa! Se isso envolve muita exposição da minha vida privada (parte dela pois muito do que vivo não passa por aqui) é o reverso da moeda, todas as nossas escolhas e decisões têm consequências, apenas temos de avaliar se o que ganhamos ao fazê-lo é ou não compensador!


  Concluindo e de modo a não me alargar muito mais, antes de criticarem coloquem-se no lugar do outro e tentem perceber o que está por trás desse comportamento ou tomada de decisão. Em vez de maldizerem, enviem uma mensagem, façam uma chamada telefónica a saber como o outro está. Um simples carinho alivia a dor que podemos carregar no peito e tornar tudo mais claro e leve. Evitem as frases feitas "Sai, vai apanhar ar e ver outras pessoas", "isso passa". São exemplos de clichés que pouco ou nada ajudam quem está atulhado de pensamentos e sentimentos sem saber que direcção seguir. São frases que deitamos da boca p'ra fora, simples, não exigem muito em que pensar, dão pouco trabalho, expressões pré-feitas que não auxiliam e ainda fazem sentir que estão a desvalorizar o nosso dilema. Sempre ouvi dizer que "pimenta no cú dos outros é refresco", "com o mal dos outros posso eu"! É fácil resolver os problemas dos outros, temos variadíssimas soluções ao nosso dispor, mas quando esse dito nos bate à porta não sabemos o que fazer nem para onde nos virar!


  Não se trata de vestir o papel de "vítima" ou de "coitadinha" para ter a atenção ou pena por parte dos demais. Trata-se sim de situações em que se está em desespero, em que se necessita de uma palavra amiga (quantas vezes os conhecidos ou até desconhecidos ajudam muito mais do que um "amigo"?!), em que se procura AJUDA (a meu ver todas as formas são viáveis desde que não se prejudiquem outros), formas/dicas para se superar a aflição em que se encontra.


 Este é o meu testemunho e sei que reflecte o pensamento de muitas pessoas que, por vezes, estão desesperadas por ter alguma ajuda. Muitos se dizem nossos amigos, mas em altura de aperto, poucos são aqueles que estão presentes. Alguns nem sabem como estamos ou se passamos por alguma dificuldade.

  Termino como este meu pensamento que pretendo implementar na minha vida:

Quem não me ajudou a secar as lágrimas quando já não conseguia colocar em palavras aquilo que sentia...
Quem não esteve a meu lado em época de trevas, dificuldades e sofrimento...
Não irei permitir que esteja presente na minha vida quando o Sol (o meu sol interior) voltar a nascer e a raiar, quando o sorriso se tornar permanente no meu rosto!
Com as alegrias todos nós podemos lidar, mas em momentos de dor só o verdadeiro Amigo permanece junto a nós!


  
  Um abraço para todos e sejam felizes, se possível, fazendo outro alguém feliz!
  Até breve!

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